sábado, 2 de maio de 2009

Artigo Açoriano Oriental dia 17 Abril 2009

ALERTA

A actividade diária de guia-intérprete obriga a uma pesquisa incessante. Assim, na tentativa e obrigação de prestar um serviço cada vez melhor, e com uma informação cada vez mais fidedigna, há que recorrer muitas vezes às novas tecnologias. Numa destas pesquisas, deparei-me com uma situação, ocorrida em Espanha, que se pode considerar no mínimo confrangedora.
Através de um vídeo publicado no site www.youtube.com, descobri que em Madrid são oferecidos passeios temáticos gratuitos aos turistas transeuntes. A palavra “gratuito” chama desde logo a atenção. Não só ao turista, pois é-lhe prestado um serviço pelo qual não tem de pagar, como também às próprias agências de viagem, vitimas de concorrência no mínimo desleal, como ainda, e sobretudo, aos guias certificados, que são directamente atacados na sua profissão.
Numa segunda análise, nem o turista tem algo a ganhar. Bem pelo contrário, só a gastar! As “gorjetas” que, por norma, são um sinal de satisfação do cliente pelo serviço que lhe é prestado, funcionam neste caso como o “ganha-pão” desta actividade ilegal e paralela. E quanto à informação? Será correcta? Será correcta e/ou verdadeira? Será dada de uma forma contextualizada? Não me parece, pois estas são questões com que só os verdadeiros profissionais do ramo têm conhecimento suficiente para se preocupar. Assim o turista dá a “gorjeta”, aquela que sustenta o dito “guia-intérprete” porque pronto… é da praxe! E assim vão alguns ganhando a vida a oferecer serviços que não poderiam nem deveriam ser oferecidos.
E se alguém se lembrasse de fazer o mesmo aqui nos Açores? Oferecer visitas gratuitas às Sete Cidades ou às Furnas não seria muito viável, seria necessário um meio de transporte colectivo, uma carrinha, um jipe ou um carro privado, todos sem a devida licença, claro está. Isto por um lado, porque pelo outro a gorjeta talvez não fosse suficiente para pagar o combustível e, ainda ter lucro.
Mas se pensarmos em visitas aos centros históricos, museus, monumentos nacionais ou sítios classificados, o caso já é outro e bem diferente, dada a possibilidade de alguns poderem ser visitados gratuitamente.
Daí a importância de realçar o serviço prestado por um guia intérprete certificado. Neste contexto, convém referir que numa mensagem de correio electrónico, posta a circular entre os associados do S.N.A.T.T.I (Sindicato Nacional da Actividade Turística, Tradutores e Intérpretes) é referida a acção da ASAE, que no serviço das suas actividades de fiscalização, instaurou 130 processos de contra-ordenação por falta de acompanhamento de guia-intérprete, número esse que tem vindo a crescer desde 2006 até ao ano passado.
Esta fiscalização, que nos Açores pode até pecar por tardia, é uma atitude a nosso ver louvável, e que funciona não só como o garante da profissão de guia-intérprete, como também como solução para a promoção do nosso Arquipélago como destino turístico de qualidade.
A bem do Turismo nos Açores,

Hugo Paula - Guia Intérprete Regional Açores
Vogal da Direcção da AGIRA - hugo.mendes.paula@gmail.com

1 comentário:

António Castanheira disse...

Olá, bom dia.

Tive o privilégio de fazer um circuito nas Ilhas de S.Miguel, Terceira, Pico e Faial, tendo como guia Manuel Martins (da ilha do Pico).
Sem dúvida... ilhas de indescritível beleza!...
Ilhas mágicas!

Cump.
António Castanheira